Mercado de diagnóstico na América Latina passa por transformações e novas oportunidades tecnológicas

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Diretor da Bioclin analisa cenário regional, desafios estruturais e tendências que devem impulsionar o setor nos próximos anos

O mercado de diagnóstico laboratorial no Brasil e na América Latina vive um momento de transformação, impulsionado por avanços tecnológicos, mudanças demográficas e desafios estruturais do setor de saúde. Embora exista uma presença relevante de empresas regionais, especialmente no Brasil e na Argentina, grande parte ainda depende da importação de tecnologias e produtos praticamente finalizados.

Nesse cenário, a Bioclin, indústria mineira com 49 anos de história no desenvolvimento e produção de kits para análises clínicas e atuação em toda a América Latina, vem se destacando ao ampliar sua produção e investir em maior verticalização industrial.

Segundo Alexandre Guimarães, Diretor de Desenvolvimento do Negócio da Bioclin, apesar do número significativo de empresas na região, a produção local ainda se concentra em tecnologias de menor complexidade. “Quando analisamos por tecnologia ou linha de produto, percebemos que a produção regional é mais relevante em áreas como bioquímica, hematologia, algumas soluções de coagulação e testes rápidos. Já tecnologias mais avançadas, como quimioluminescência, biologia molecular e espectrometria de massa, ainda são majoritariamente importadas”, explica.

Nos últimos anos, o setor tem passado por mudanças importantes, como a concentração de laboratórios, especialmente no segmento de saúde suplementar, e o achatamento dos preços dos exames, principalmente em instituições filantrópicas que dependem de recursos públicos. Em alguns casos, o valor de determinados exames no Brasil chega a ser cerca de metade do observado em países como Colômbia, Chile e México.

Outro fator relevante é o envelhecimento da população em países como Brasil, México e Argentina, o que aumenta a demanda por exames laboratoriais ao longo da vida. Ao mesmo tempo, crises econômicas recentes e a redução da cobertura de planos de saúde em alguns países também pressionam os sistemas públicos e privados.

Além disso, o setor enfrenta desafios estruturais, como dificuldades logísticas, gargalos regulatórios e o alto custo de capital na América Latina, que impactam a capacidade de investimento em novos equipamentos e tecnologias por parte dos laboratórios.

Apesar dessas barreiras, a inovação tecnológica vem abrindo novas perspectivas para o setor. Soluções de automação, inteligência artificial e análise de grandes volumes de dados estão sendo cada vez mais incorporadas aos processos laboratoriais.

“O uso de inteligência artificial e de big data pode representar um salto importante de produtividade para laboratórios e fornecedores, aumentando a precisão diagnóstica e melhorando a jornada do paciente”, destaca Alexandre Guimarães.

Outro movimento que ganha força é a expansão das tecnologias de Point-of-Care Testing (PoCT), que permitem a realização de exames diretamente em clínicas, postos de atendimento ou até mesmo em ambientes domiciliares, acompanhando tendências como a desospitalização e o crescimento do home care.

Para acompanhar essas mudanças, a Bioclin tem investido na ampliação do portfólio com produtos de maior valor agregado, com destaque para as áreas de diagnóstico veterinário, triagem neonatal e biologia molecular. A empresa também avança na oferta de soluções integradas com analisadores de maior porte e no desenvolvimento de modelos de financiamento que facilitem o acesso dos laboratórios às tecnologias.

“Nosso objetivo é ampliar o acesso à inovação e oferecer soluções completas que apoiem o crescimento dos laboratórios e do diagnóstico na região”, afirma Guimarães.

Para os próximos anos, especialistas apontam que as maiores oportunidades estarão na adoção de novas tecnologias, no uso de inteligência artificial e na expansão de modelos de diagnóstico descentralizado, como o PoCT. “Laboratórios que investirem em eficiência, inovação e melhoria da jornada do paciente certamente terão um diferencial competitivo importante no mercado”, conclui o executivo.

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